Revista Key

Uma das primeiras lembranças que tenho da KEY, revista dirigida pela jornalista e modernet bombator dos Jardins, Erika Palomino, é uma nota no site dela que dizia “O que você vai fazer com R$20?”. E claro, entre tomar 10 cafézinhos, ou comprar tranqueirinhas na 25 de março, ela sugeria as pessoas comprar a revista KEY, que têm o “preço amigo“(sic) de R$20.

Sem entrar no mérito do preço, mas já entrando, inicialmente a revista custava R$30. Hoje, no nosso país, para quem procura o tipo de revista da KEY, não gasta menos de R$14, que é o preço por exemplo, de uma Vogue, ou no máximo R$10 em uma dessas revistas que desaparecem depois de algumas edições. Para comprar uma importada, a faixa de preço também gira em torno dos R$20, que se você pensar, é muito. É muito, por que uma pessoa como eu consome muita revista. Vai na banca e compra umas quatro, ou quero dizer, pelo menos SENTE vontade de comprar, já que na hora das contas, percebe que se vão R$100 em um punhado de revistas, produto razoavelmente perecível.

Para uma editora, ou uma grande profissional no mercado, R$100 pode parecer um dinheiro bem investido no mês, mas para mim não. Nem para mim, nem para todas estagiárias e aspirantes a estilistas, ou fotógrafas em começo de carreira, maquiadoras, etc etc, público importante dessas revistas.

A KEY meio que se tocou disso, e readequou o preço, antes de R$30 para R$20. Bacana, mas só não venha dizer que é “preço amigo”. A revista realmente vale os R$20. Tem um formato diferenciado, uma impressão impecável, só comparável ao mercado internacional, e portanto, deve custar caro produzir tudo isso. (Apesar que as propagandas estão ai para isso. A contracapa está ai para isso. Nós, leitores, não.) Até minha mãe, não entendida no assunto, achou que a revista era importada e elogiou a qualidade da impressão, do papel.

Até então tudo bem. Até aqui, eu admirava a revista na banca, mas nunca senti vontade de comprar.

Hoje, no trabalho, me deu vontade. Vontade de ler algo novo, de quem sabe me surpreender um pouco. Fui até a banca, e comprei o exemplar que tinha, de número 10, referente a maio/junho (já um pouco atrasado, afinal, estamos em agosto, e deveria ter a de junho/agosto, que só vai sair em novembro). A revista veio como usualmente essas revistas vem, embrulhada num plástico. A contracapa estava coberta por um papel pardo, mas nem atentei para esse fato, apenas desembrulhei a revista e voltei lendo para o trabalho.

Qual não foi minha surpresa quando, no meio do caminho, noto a contracapa?

 

Essa é a capa, e na direita, a contracapa.

Assim, eu trabalho em um lugar bem quadrado. BEM quadrado mesmo. Tipo escritório de advocacia sabe? E ainda bem consegui notar no meio do caminho o detalhe da contracapa.

Imagina eu entrando no trabalho com isso?

Ok. É aqui que alguns vão rir, outros vão vaiar, e eu continuo com a cara de séria. Sim, por que eu estou falando sério isso.

Eu sou uma mulher, de 24 anos. Pago minhas contas, saio a noite, pouca coisa nessa vida ainda me surpreende. Sou moderna, procuro saber de tudo que está acontecendo por ai, e apoio qualquer coisa que saia do usual, como toda boa aquariana. Acho bafo.

Agora, NINGUÉM é obrigado a ver isso. Ninguém é obrigado a entender. Eu entendo, mas não posso obrigar que as pessoas do meu trabalho por exemplo, entendam. Não posso obrigá-los a “consumir” isso, no sentido da palavra.

Achei um TREMENDO erro da revista TAMPAR a contracapa. Se eles estão publicando isso, eles estão cientes do que estão fazendo, e é bom os consumidores TAMBÉM estarem. Eu escolhi comprar uma revista com um cara peladão na contracapa. Meu chefe no trabalho NÃO escolheu ver isso. Nem a velhinha da rua.
Na banca, você tem a exposição dos produtos. Por isso, não há motivos para se chocar com o fato de uma revista ter um cara nu na capa, assim como algumas revistas tem mulheres nuas (e com propósitos bemmm menos artisticos). Ou seja, não precisava tampar a contracapa para vender na banca, ou melhor CENSURAR a contracapa. Precisa sim dar livre escolha aos leitores de mostrar isso pro mundo ou esconder na bolsa e só ler em casa, ou entre os amigos moderninhos, e não na frente do pai e da mãe, do chefe, da sogra. Entendem?

Fiquei bem puta com isso mesmo, por isso, além de publicar aqui, claro, como formada em publicidade que sou, também vou enviar um bom e-mail para a revista.

E como se não bastasse, fui no site da revista procurar fotos para ilustrar esse post e acho um site desativado com o seguinte aviso:

Olá. Obrigado pelo interesse em relação a revista KEY, porém decidimos tirar este site do ar! Buscamos excelência editorial desde a primeira edição, em janeiro de 2006. Trabalhamos com as melhores gráficas do Brasil, com elaborados recursos, como cobertura de verniz, hot stamp e uso diferenciado de papel. Tudo isso pra dizer que KEY é uma revista para ser manuseada, tocada mesmo. Se você quer vivenciar esta experiência não hesite em entrar em contato com a Redação, pelo tel. 11 3813-0414 ou mandando um e-mail para assineakey@erikapalomino.com.br.

Olha. Eu já gonguei o suficiente não? Mas eles dão mais um motivo.
Nós percebemos que a revista é muito boa quando manuseamos ela, isso não há dúvida, com ou sem homem pelado na contracapa, tampado ou não, censurado ou não.
Agora, internet meu povo. Internet move o mundo, nos trás informação, é o 1o lugar que as pessoas correm quando querem saber ou se interessam por algo. Se eu estou no Japão e uma amiga minha de passagem me mostrou uma KEY e eu procurar mais informações, eu não vou querer ver um aviso desses. Se eu moro em um local onde a KEY não chega, e portanto não posso pagar os “amigos” R$20 e consumi-la, o site estará lá. Sei que não vai dar para “tocar” a revista, mas a experiência é o que vale, e tanto faz por site ou por papel, pode-se escolher um meio principal para o contato, e nem por isso matar o outro meio.

Tudo isso vindo de uma revista que preza pela modernidade, o fashion, a cultura.
Tanta coisa errada…tanta coisa errada.
Então, da próxima vez que eu tiver meus amigos R$20 vou comprar uma Vogue e uma Simples, e pronto. Ou tomar 10 cafezinhos. Ou consumir 200 chicletes. Pelo menos vou saber o que estou consumindo sem surpresas.

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4 comentários sobre “Revista Key

  1. eu adoro seu blog! te linkei, e eu nao comrpo a key pq sempre gasto 20 reais no bar e qndo chego na banca nao tenho mais.

    bjos

    jana

  2. Nao assistir escolas de samba por causa de tapasexos ??
    Bobagem
    KEY vale a pena ler ler e deliciar
    ler de novo
    e colecionar
    e’ novo

    mas concordo. nao devia tapar contracapa.
    Key 11 acaba de sair.
    Tem albina na capa.Linda
    Nunca vi antes.

  3. Concordo que a revista é incrí, como eu disse no desabafo. Mas a censura da coisa me chateou. E a não escolha do local tbm. Eu posso até ver o carnaval, mas sei que não vai pegar bem ligar a TV na casa da avó crente por exemplo! hahaha.

  4. Bom, a revista eh realmente incrivel, papel d primeira, ensaios espetaculares, e como toda revista onde a moda e mundo fashion está em primeiro plano, as vezes rasa, c a aquela sensação q basta esquentar e/ou esfriar q tudo vira descartavel e lá mais adiante volta tudo de novo&misturado nos editorias d moda… o mundo fashion daqui gira no universo umbigo, uma viagem ao fundo do ego! A edição nº9, adquirir simplesmente por causa da capa… e a mais recente n encontrei mais nas bancas, já tinham sido recolhidas quando lembrei de procurar… n dá pra ficar a mercê de revista, tenho mais o q fazer na minha vida! Vou tntar achá-la em algum lugar por aí, quem sabe se em alguma feira livre S/A!?

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